O final de julho é o período de entressafra de anúncios que precede a leva de lançamentos do segundo semestre. Uma boa época para refletir sobre os resultados dos primeiros meses do ano, justamente os destaques do nosso Vencedores e perdedores desta semana.

Antes de apresentarmos os nomes que mais chamaram a atenção no mercado de tecnologia nos últimos dias, vamos relembrar alguns dos principais acontecimentos na semana que passou.

Nada para ver aqui

Uma das notícias que mais movimentou a mídia de tecnologia nesta semana foi o lançamento dos fones Ear (1) da Nothing, a startup fundada pelo ex-OnePlus Carl Pei. Com um marketing apoiado na ideia de computação invisível (ou ubíqua/pervasiva), os fones chamam a atenção por seu acabamento transparente (diferente do teaser inicial, mostrado no topo da página), além do preço competitivo.

Nothing ear 1 ladybirds
Não resisti e usei novamente a imagem das joaninhas / © Nothing Tech

Não testamos o Ear (1) (ainda), mas as avaliações iniciais indicam se tratar de fones com acabamento atraente e boa qualidade sonora, mas talvez sem o mesmo impacto da startup anterior do executivo chinês. Ainda é cedo para avaliar as perspectivas da Nothing, mas pelo menos elas parecem muito melhores do que as de outra startup-com-substantivo/adjetivo/advérbio-no-nome-fundada-por-um-executivo-badalado, a Essential (lembra dela?).

Copia, mas não faz igual

Já falamos nas duas últimas edições sobre o carregador magnético da Realme, o MagDart. Nesta semana, a empresa revelou teasers sobre o novo acessório e já marcou uma data de apresentação para esta terça-feira (3).

Realme MagDart
Realme destacou ainda potência “440% maior”, sem revelar a base de comparação (MagSafe?), será que o MagDart terá 65 W? / © Realme/Twitter

Com um design que lembra muito o MagSafe (sem contar o nome), o MagDart terá um evento próprio, com o pomposo nome de “Realme Magnetic Innovation Event”. Os teasers publicados não mostram o modelo com ventoinha que teve uma imagem vazada nesta semana, mas sinceramente, o aparelho da ilustração se parecia com um protótipo recém-saído de uma impressora 3D.

O evento do MagDart deve mostrar ainda o Realme Flash, que também já teve uma série de teasers divulgados, incluindo uma publicação com as palavras “ocho ocho ocho” (oito oito oito, em castelhano), uma clara referência ao SoC Snapdragon 888.

Ninguém está salvo

O nosso editor Benjamin Lucks conversou nas últimas semanas com especialistas de segurança digital para explicar porque o spyware Pegasus representa uma ameaça para todas as pessoas. O alerta foi dado pelo CEO do WhatsApp, Will Cathcart, que afirmou que o perigo que o spyware representa afeta a todos nós.

Afinal de contas, o Pegasus mostra como programas de espionagem em massa exploram falhas de segurança negociadas em mercados clandestinos. Isso cria incentivos para não relatar bugs de segurança para as responsáveis por sistemas e dispositivos, o que acaba deixando as brechas abertas (e exploradas) por mais tempo.

O problema tem implicações muito maiores do que eu consigo resumir em dois parágrafos, por isso recomendo a leitura do (ótimo) artigo do Ben, que explica ainda o que o Pegasus é capaz de fazer e ainda possíveis alternativas para o comércio das falhas zero-day.

Vencedor da semana: relatórios financeiros das empresas

Nesta semana, os happy-hours dos contadores em grande parte das empresas de tecnologia devem ter sido um pouco mais animados do que de costume — estereótipos à parte. Com a publicação dos balanços financeiros das principais empresas para o segundo trimestre de 2021, todas parecem ter saído vencedoras.

Desde a Apple — que registrou seu melhor faturamento para um mês de junho — até o grupo LG — com o maior faturamento em um trimestre na sua história, paralelamente ao fim das operações da divisão de celulares —, o setor de eletrônicos de consumo parece ter deixado para trás o difícil ano de 2020.

O grupo Samsung registrou seu melhor segundo trimestre da história, indicando um forte desempenho das suas divisões de componentes — as empresas do conglomerado vendem telas AMOLED, módulos RAM e flash, sensores de câmera, produzem SoCs e GPUs, etc.

Todo o otimismo das empresas, porém, não dá sinais de que isso vai resultar em mais competição ou quedas de preços, já que os relatórios destacaram principalmente os bons resultados dos segmentos premium e de serviços.

Além disso, a forte demanda por componentes — e a já comentada escassez de semicondutores — não dá sinais de que as empresas conseguirão equilibrar a produção e estoque de chips a curto prazo — para tristeza de quem ainda procura uma placa de vídeo ou console de videogame (que também anunciaram recordes de vendas nesta semana).

Perdedor da semana: mercado chinês de celulares

Enquanto as gigantes dos eletrônicos comemoram recordes de vendas, o mercado chinês de smartphones parece em ressaca após a forte recuperação registrada no primeiro semestre de 2021.

Após crescer quase 30% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período de 2020 (que foi afetado pela primeira onda da COVID-19 na China, vale destacar), o segundo trimestre registrou uma queda de 17% em 2021 em relação aos meses de abril a junho de 2020, segundo números da consultoria Canalys.

Os analistas da empresa destacaram que os chineses estão trocando seus celulares com menos frequência. Além disso, um ponto de preocupação identificado pela Canalys é que o ciclo de upgrades para o 5G deve começar a desacelerar.

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Crescimento trimestre-a-trimestre das 4 principais marcas não compensou o declínio da Huawei / © Canalys

Apesar da forte queda no período do mercado todo, as 4 fabricantes no topo do ranking local registraram aumento nas vendas, sendo que a líder Vivo cresceu 23%. Os analistas destacaram que, com a queda da Huawei (que foi de quase 40% há um ano para menos de 10%), a concentração de mercado no país caiu, o que pode estimular a competição entre as marcas.

Um segmento que ainda parece em aberto na China é o dos flagships Android, ainda sem um substituto claro para a hegemonia das linhas Mate e P da Huawei. O relatório da Canalys indica que os lançamentos do terceiro trimestre podem dar um sinal de como as marcas pretendem assumir o trono deixado pela Huawei.

E é com esse clima de expectativa que encerramos o artigo desta semana. Você concordou com nossas escolhas (amplas) para os vencedores e perdedores? Fique à vontade para discordar e criticar nos comentários abaixo. Até a próxima semana!





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