Por que querem tanto comprar aplicativos de compartilhamento de fotos, ao invés de sólidos negócios tradicionais? 

O teste para qualquer investimento é a sua taxa de retorno sobre risco — o famoso ROI.

Startups passam nesse teste pois, apesar de um alto risco, a possibilidade de retorno deixa qualquer negócio tradicional muito para trás.

Mas não é só isso.

Um negócio tradicional de lento crescimento pode também apresentar uma taxa de retorno sobre risco atraente.

O que atrai os investidores de Venture Capital, que quer dizer literalmente: Capital de “aventuras” ou risco, é o crescimento rápido.

Estes investidores querem ser recompensados recebendo o seu investimento inicial de volta, junto com um bom lucro. E isso só pode acontecer depois que houver um crescimento e, se possível, a venda da startup para algum comprador ou a abertura do seu capital em bolsas de valor — conhecido como IPO (Initial Public Oferring). 

Mas, calma! Não se preocupe com isso agora se não estiver compreendendo 100%.

Por que os investidores de Venture Capital evitam investir em negócios tradicionais, sólidos e muito confiáveis?

Por que os investidores de Venture Capital evitam estes negócios?

Grandes organizações tradicionais manipulam os processos internos para manter praticamente todos os lucros dentro do negócio e não recompensar os investidores.

Olha esse exemplo de uma fábrica que compra propositalmente componentes superfaturados de um fornecedor que pertencem ao mesmo grupo de empresários gestores da fábrica.

Isso faz parecer que o negócio está dando pouco lucro. Mas, na realidade, a receita está sendo desviada do investidor.

Por esses e outros motivos qualquer um que invista em uma empresa tradicional vai ter que acompanhar muito de perto todos os balancetes financeiros, planilhas, relatórios e fiscalizar com cuidado a gestão e os processos internos do negócio.

Venture Capitalists profissionais não perdem tempo com isso.

É claro que alguns perfis de investidores tradicionais não se preocupam com isso, pois se consideram donos do negócio também.

Mas, um Venture Capitalist profissional vai sempre preferir o cheque dele na própria conta.

O motivo principal que leva os Venture Capitalists a investirem em startups não é somente os retornos, mas principalmente porque estes investimentos são muito fáceis de serem controlados! 

Os empreendedores founders das startups não irão conseguir enriquecer sem enriquecer também os seus investidores!

E por que os founders querem o dinheiro Venture Capitalist, mais conhecido como Smart Money? 

Por causa do CRESCIMENTO.

No território das startups não basta uma boa ideia

Crescer lentamente é perigoso em negócios com efeito de rede pois a concorrência é ferrenha e vai lhe arruinar.

Quase todo o tipo de empresa precisa de investimento para começar.

Mas as startups muitas vezes levantam capital até mesmo quando já são lucrativas.

Pode parecer burrice vender um pedaço da sua empresa por um baixo valor hoje, mesmo sabendo que logo esse pedaço vendido vai valer muito mais.

Mas essa é a mesma lógica que nos leva a pagar por apólices de seguro. 

Essa é a visão que compartilham as startups de sucesso quando o assunto é investmento.

Elas poderiam seguir por um caminho de crescimento com recursos próprios e mais lento, mas a ajuda extra do venture capitalist irá catapulta-las muito a gente de seus concorrentes. 

Para uma startup, levantar investimento vai permitir escolher a sua taxa de crescimento.

Os investidores profissionais em Venture Capital precisam das startups de crescimento rápido mais do que as startups precisam do VC (Paul Graham, Founder Y Combinator)

Uma startup pode crescer com recursos próprios sem investimento, isso chama-se bootstraping.

É um pouco mais perigoso, mas é possível sim. 

Já os investidores de Venture Capital precisam desovar o seu capital de investimento em startups de crescimento rápido, do contrário o modelo deles não roda e eles irão sair do mercado.

Não é raro vermos grupos de investidores entrarem e saírem rápido do mercado, pois não conseguem se sustentar devido a dificuldade que encontram em rodar um modelo de prospecção, filtragem e investimento em startups de sucesso.

A realidade é que startups de crescimento rápido, independente do país que atuam, sempre terão à sua disposição ofertas de investimento com termos irrecusáveis.

E, mesmo assim, devido a escalabilidade do território das startups, os investidores conseguem fazer muito dinheiro com o retorno que obtém.

Porque toda startup que cresce muito rápido recebe ofertas para ser adquirida?

Qual é a lógica que faz com que outras empresas queiram comprar startups?

Quando o eBay comprou o PayPal, conseguiu aumentar em 43% as suas vendas.

Quem não quer aumentar dessa forma as suas vendas é maluco.

A Google já adquiriu mais de 200 startups, o que lhe permitiu expandir suas atuações em diferentes verticais como casas inteligentes, carros autônomos, Inteligência artificial e até satélites orbitais.

Mas existe também o fator medo.

Uma startup de crescimento rápido é perigosa e ameaça em algumas vezes até mesmo a extinção de uma organização muito sólida e poderosa. 

Muitas aquisições tem esse componente de medo, como foi o caso do Facebook que, em 2010, se sentiu ameaçado por uma pequena startup — chamada Instagram — e acabou a comprando por 1 bilhão de dólares em dinheiro e ações.

Imagina como estaria o mundo hoje se um outro player, como por exemplo o Google, estivesse comprado o Instagram? 

Por esse motivo, muitas startups são adquiridas pois existe um receio de que algum competidor poderia fazer com elas, caso assumam o controle.

Esse fator também faz com que o preço pago pelas startups de crescimento rápido seja muito acima do valor atual de seus ativos.

O ecossistema

A combinação de empreendedores founders, investidores e empresas que eventualmente compram startups forma um ecossistema natural.

Funciona tão bem que aqueles que não compreendem frequentemente inventam teorias da conspiração para explicar a perfeição do sistema.

Da mesma forma que nossos ancestrais tentaram explicar o funcionamento da natureza através de crenças, religiões e superstições.

Se você iniciar com a crença de que o Instagram não tinha valor algum, vai ter que inventar uma explicação daquilo que “iludiu” e forçou Mark Zuckerberg a comprá-lo.

Segundo Paul Graham, para qualquer um que conhece o chefão do Facebook pessoalmente, sabe que essa hipótese inicial beira o absurdo.

A razão pela qual Zuckerberg fez a aquisição foi que percebeu que o Instagram tinha grande valor e era perigoso.

O que sinalizou e validou a sua percepção foi que a pequena Startup demonstrou um rápido CRESCIMENTO.

Se você quer entender startups, entenda crescimento.

Crescimento movimenta o mundo, é o que faz as startup escolherem as ferramentas tecnológicas.

Ideias para negócios disruptivos são muito raras, a melhor forma de encontrar uma é conhecendo e dominando muito rápido as tecnologias mais recentes que permitem a solução de velhos problemas de maneira nova e mais eficaz.

  • Crescimento é o que pressiona os empreendedores founders a se aventurarem no território das startups.
  • Crescimento é o que faz de uma startups tão valiosa, mesmo que o risco seja tão elevado para investidores. 
  • Os investidores profissionais em venture capital são atraídos não somente pelos altos ganhos com as startups, mas também pela facilidade da gestão, em comparação com a gestão dos dividendos pagos por empresas tradicionais, onde tem pouca visibilidade e transparência nas operações.
  • Crescimento explica porque as startups frequentemente aceitam investidores mesmo não precisando: é uma forma de escolher a sua própria taxa de crescimento.
  • Crescimento explica porque as startups de sucesso recebem propostas de compra.

Se você quer se sair bem no território das startups, precisa compreender as forças e o ecossistema.

Quando um grupo de founders inicia uma startup, eles estão se comprometendo a focar em um problema muito mais difícil do que iniciar um negócio tradicional.

Eles estão se comprometendo a encontrar uma daquelas raras ideias que geram um crescimento rápido.

Encontrar uma destas ideias é muito difícil, pois o valor delas é muito alto. 

Iniciar uma startup se parece muito com decidir tornar-se um cientista pesquisador: você não está decidido a solucionar um problema específico. Você nem sabe sequer quais os problemas são solucionáveis.

Seu foco é descobrir algum que ninguém ainda descobriu. 

Um founder é um cientista pesquisador dos negócios.

Muitos não irão descobrir nada de fantástico, mas poucos irão.

E a métrica que vai lhe dizer se está no caminho certo ou errado é o crescimento.

O ecossistema brasileiro

Não é a intenção desse artigo debater o futuro dos investimentos em startups no Brasil. Mas, considerando a queda do retorno sobre os investimentos em renda fixa, a tendência é observarmos um ecossistema cada vez mais maduro e disposto a enfrentar riscos maiores.

Até alguns anos atrás, a lógica dos investidores em startups não fazia muito sentido Brasil, pois não havia uma justificativa para correr riscos elevados se investimentos seguros de renda fixa entregavam um bom retorno.

TAXA SELIC

Hoje, o cenário inverteu com a queda da taxa Selic, que tende a aquecer o consumo, fomentar o início de novos negócios e pressionar os investidores a se educarem e buscar alternativas mais ousadas para fugir dos baixos retornos da renda fixa.

TERRITÓRIO DE STARTUPS clique aqui para ir para a parte 1 ou 2

Assista a animação em vídeo deste artigo produzido pela equipe do ResumoCast for Startups

O que é o ResumoCast For Startups?

O ResumoCast For Startups é um ecossistema onde empreendedores de startups (founders) criam negócios de rápido crescimento e se relacionam com investidores e outros parceiros para a troca e geração de valor.

Temos diversos programas, para saber sobre datas e mais detalhes, clique aqui.

Sobre o autor

Gustavo Carriconde é o fundador do ResumoCast e do ResumoCast for Startups.

Também é investidor e mentor de startups.

Atualmente, ele mora em Dubai, onde faz a gestão de projetos de inovação, aceleração e incubação de startups.

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