Ainda com incertezas em relação ao edital do 5G, a tecnologia em si também levanta questionamentos em termos de plano de negócios, a depender do tamanho da empresa. Para o recentemente contratado CSO do provedor pernambucano Um Telecom, Joselito Bergamaschinel, é preciso ter bastante cautela antes que as prestadoras de pequeno porte (PPPs) decidam participar do certame. 

“Todos sabemos que o business case do 5G não fecha. Estamos conversando com diferentes players, o investimento é muito alto, o deployment é bastante complicado. Claro que eles vão encontrar uma forma, mas é complexo”, declarou o executivo durante evento do portal Tele.Síntese nesta quinta-feira, 10. Para ele, as PPPs devem buscar alternativas, como de players que operam apenas na infraestrutura, caminho que tem sido buscado pela Highline.

Apesar do argumento, Bergamaschinel confirma que a companhia tem a intenção de participar do leilão do 5G, incluindo a faixa de 26 GHz. O CSO diz que a Um Telecom estaria “conversando com vários fundos” e sentindo “bastante interesse e apetite para investimento”. Ele também afirmou que a operadora regional está construindo o próprio ponto de troca de tráfego (PTT) no Recife.

Não é o entendimento do diretor de soluções integradas da Huawei Brasil, Carlos Alberto Roseiro. Para ele, as incertezas pertinentes ao 5G em geral são parte do risco do negócio, e mesmo isso estaria evoluindo. “Na perspectiva da grande operadora, é óbvio que [a conta do] 5G fecha. Todas as teles querem estar dentro disso, ninguém faz caridade. O BP [business plan] fecha”. 

Redes neutras

Roseiro ressalta que no 5G é necessário ter escala, e por isso também sugere às PPPs se aproveitarem de parcerias. “Redes neutras é um modelo bem razoável no mercado brasileiro por isso. Quanto maior a escala da operação, maior o EBITDA.”

Wellington Santos, diretor administrativo da piauiense Ora Telecom, acredita que o caminho da rede neutra é “natural”, uma vez que permite rentabilizar uma infraestrutura que pode não estar sendo plenamente utilizada. “Varia de acordo com a estratégia de cada empresa, lógico. Não podemos afirmar que isso é um caminho, ela é que vai determinar. Mas aproveitar uma rede que você não ocupou na totalidade pode gerar tráfego e receita para o negócio.”

O gerente de pesquisa sênior para mercados das Américas da OMDIA, Ari Lopes, destaca que há ainda a possibilidade de que PPPs se unam para tentar entrar no jogo do 5G. “O consórcio de ISPs é um modelo interessante sim para investigar, nem que seja uma maneira para se proteger quando vierem as grandes ISPs”, declara. Ele cita ainda que outra forma de rentabilizar é a de trazer a conectividade aliada a games, seja por meio de consoles, por serviços online como XBox Live e PSN Plus, ou mesmo com cloud gaming. 



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