A EmCasa, proptech de compra e venda de imóveis fundada em 2018, entrou na pandemia capitalizada – a startup já havia levantado, até então, pelo menos R$ 30 milhões. Com o dinheiro, conseguiu investir em infraestrutura e enfrentar os primeiros meses da crise do coronavírus, período “ruim de receita”, como define Gustavo Vaz, CEO e cofundador da empresa. Mas as dificuldades financeiras passaram e o negócio voltou a crescer. Em setembro de 2020, um aporte de R$ 20 milhões deu novo fôlego para a startup. Nesta quarta-feira (21/07), a EmCasa anuncia uma nova rodada de investimento, no valor de R$ 110 milhões.  

Gabriel Laet, Gustavo Vaz e Lucas Cardoso, cofundadores da startup EmCasa (Foto: Divulgação)

Gabriel Laet, Gustavo Vaz e Lucas Cardozo, cofundadores da startup EmCasa (Foto: Divulgação)

O capital irá sustentar a expansão da empresa para novos bairros do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde a proptech atua hoje, além de levar o negócio a outras cidades – ainda não reveladas pelo empreendedor. Também haverá caixa para dar robustez à plataforma tecnológica do negócio e aumentar o time. Neste aspecto, a meta é agressiva: saltar dos atuais 200 colaboradores para pelo menos 1.500 até 2024. Atualmente, a EmCasa tem 10 mil imóveis cadastrados no site. O objetivo é fechar 2021 com R$ 1 bilhão transacionados pela plataforma.   

O novo investimento foi liderado pela Globo Ventures, pela Igah Ventures e pela Flybridge. Também entraram no aporte fundos que já haviam participado de outras rodadas: Monashees, MAYA Capital, Pear Ventures, NBV e ONEVC. Vaz considera a nova rodada fruto dos bons resultados apresentados pela empresa, que tem crescido mês a mês em 2021, e do relacionamento mantido com os investidores. “São players que nós já conhecíamos havia pelo menos dois anos, com relacionamentos criados e nutridos por bastante tempo”, diz Vaz.  

Os investidores aportam, além do capital, experiência e contatos. A Globo Ventures, que lidera a rodada, traz o histórico da participação no Grupo Zap, vendido integralmente à OLX Brasil em março de 2020. “É um fundo que apresenta conhecimento do mercado imobiliário”, pontua Vaz. Em relação à Igah, ele destaca os mais de 60 investimentos do fundo de venture capital no país e a experiência com startups em crescimento; e a Flybridge, que já aportou no unicórnio MadeiraMadeira, proporciona acesso ao networking do mercado norte-americano, onde está inserida.   

O setor de proptechs está quente. Duas das maiores rodadas de 2021 são de startups do mercado de compra e venda de imóveis. A primeira, realizada no primeiro semestre deste ano, foi da Loft. Um aporte de US$ 525 milhões no unicórnio elevou seu valor de mercado para US$ 2,9 bilhões. Outro destaque, em maio, foi o QuintoAndar. Em uma rodada Série E, o também unicórnio levantou US$ 300 milhões, passando a valer US$ 4 bilhões.  

Segundo dados do Inside Venture Capital Report, relatório produzido pelo Distrito Dataminer, braço de inteligência da plataforma de inovação aberta Distrito, as duas megarrodadas – e o aquecimento mercado de proptechs – foram responsáveis pelas startups brasileiras baterem o recorde histórico de investimentos em 2021, superando o total investido em 2020 em 45%.  

Visão e oportunidade
A EmCasa foi fundada como solução para uma dor que o empreendedor acompanhou de perto. Filho de uma corretora de imóveis, Vaz viu a mãe lutar por uma renda fixa e enfrentar a falta de tecnologia nos processos de compra e venda de imóveis. Ao lado dos amigos Lucas Cardozo e Gabriel Laet, criou um negócio que tem por proposta digitalizar o mercado imobiliário e profissionalizar o corretor, que na startup ganha salário fixo, em vez das tradicionais comissões sobre as vendas.   

Essa foi uma característica que chamou a atenção de Luis Lora, managing partner da Globo Ventures. Ele iniciou o contato com a startup quando a gestora ainda tinha participação no Grupo Zap. “Estamos há muito tempo acompanhando o mercado imobiliário e os novos modelos de negócio baseados em tecnologia”, diz Lora. “Vimos a EmCasa crescer e ficamos atraídos pela visão clara dos fundadores de melhorar a experiência usando tecnologia, dados e pessoas.”  

Uma combinação de circunstâncias levou ao investimento atual. A startup estava em busca de uma nova captação, e a Globo Ventures havia desinvestido no Grupo Zap. “Estávamos com apetite para continuar no mercado imobiliário”, afirma Lora. “Ao mesmo tempo, os fundadores haviam provado o modelo de negócio e apresentavam uma ótima trajetória de crescimento. Decidimos ajudá-los a expandir de forma mais expressiva.”  

Com 18 startups investidas em setores como serviços financeiros, marketplace e plataformas de tecnologia, a Globo Ventures está em busca dos melhores empreendedores e de plataformas para aportar capital e conhecimento, diz Lora. “Procuramos pessoas com uma visão diferenciada da operação e capacidade de fazer um plano concreto. Algo que vimos nos sócios e na plataforma da EmCasa”, afirma.

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